Reflexão sobre o passado, presente e futuro da tecnologia

ibm_4331-5Muitos de nossos leitores com certeza são das épocas da TV preto e branco, do disco de vinil, da vitrola, do TK 85, da antena “espinha de peixe” e tantos outros artefatos tecnológicos que formaram a base das comunicações e da revolução tecnológica do século XX.

É difícil para a grande maioria conseguir traçar um retrato mais amplo do que vivemos desde a popularização das tecnologias, visto a enorme quantidade de invenções que fizeram parte das nossas vidas (e continuam fazendo) além daquelas que passaram rapidamente e não conseguiram se firmar por mais de alguns poucos meses ou mesmo alguns poucos anos.

Eu nasci no final da década de 60 e tive a oportunidade de conhecer muitas tecnologias da época, além de algumas que ainda eram utilizadas nas décadas passadas. Mas o mais impressionante para mim é saber que, por mais coisas que eu conheci, ainda existe uma enorme quantidade de equipamentos e invenções com que acabo esbarrando no meu dia a dia e que despertam a minha atenção ainda como um menino que está descobrindo o mundo. Temos pouco mais de meio século em que a humanidade deu saltos incríveis na criação e desenvolvimento de diversas invenções e conseguimos criar uma infinidade de equipamentos e sistemas para as mais variadas aplicações, como a impressora jato de tinta, até as máquinas de lavar que entregam a roupa quase pronta para vestir. A quantidade de itens é tão grande que ficaríamos anos escrevendo sobre elas e ainda haveria espaço para mais alguns anos à frente. Fomos e continuaremos sendo uma sociedade moldada pelo gigantesco desenvolvimento tecnológico do século XX, cada vez mais rápido e acelerado do que nunca.

Só saberemos mesmo nos atentar e entender tudo isso quando grupos disciplinados de pessoas, pesquisadores e pensadores comecem a dedicar tempo e recursos para analisar e retratar a história e o impacto que estas transformações implicaram na atual sociedade da era da informação.  Na realidade estamos começando a “juntar os pedaços” do passado, do presente e mesmo do futuro para melhor compreender a necessidade incessante pelo desenvolvimento tecnológico sem precedentes, principalmente quando pensamos a realidade brasileira, uma realidade que ainda tímida e com poucos recursos começa aos poucos a dar a devida importância à preservação da história e da cultura de nossa sociedade: o brasileiro “começa” a ter memória!

A quantidade e a absorção das tecnologias atuais

Estamos vencendo o desafio de diminuir a distância das pessoas e em dar respostas para várias perguntas com o uso da tecnologia (principalmente por meio do novo mundo da tecnologia digital), mas no entanto não temos planejamento e condições suficientes para saber onde queremos realmente chegar. Estamos imersos em chips, códigos, redes diversas, vídeos espalhados por sites e máquinas de usuários e potentes servidores, mas não temos meios claros de como dar sustentabilidade econômica justa e organizar de forma clara e coerente a enxurrada de informações que são produzidas hoje, principalmente com base na  rede mundial de computadores, de onde vem a maioria do que a humanidade cria e produz hoje . Em décadas passadas havia cadências naturais  entre o aparecimento de uma nova tecnologia, o seu aprendizado, absorção e finalização, etapas  que hoje não existem mais.

Por enquanto resta a nós aprender pouco a pouco a absorver somente o que é realmente necessário e saber descartar as tecnologias e recursos que são desnecessárias à grande maioria. Ter a melhor TV de tela fina não significa dizer que estamos em sintonia com o que há de melhor e mais avançado tecnologicamente, principalmente quando absorvemos tais recursos apenas por impulso ou por motivo de mero status. Se seu televisor ou aparelho de som são simples e lhe atendem bem sem a necessidade de gastar mais, aprenda a tirar o melhor deles, pois o som e a imagem (o fundamental) são praticamente os mesmos dos equipamentos mais caros e sofisticados.

Todos temos de aprender a absorver o que é necessário em termos de tecnologia para nossas necessidades pessoais e profissionais, mas temos de aprender também a observar que não devemos ser escravos dela. Um celular mais novo, um notebook mais bonito e mais rápido, aquele Home Theater wireless são realmente necessários para as suas necessidades? Vou comprometer boa parte do que ganho apenas para satisfazer meu ego e meu status? Poucos sabem, mas comprar tecnologia no Brasil é pelo menos (na melhor hipótese) 60 a 70% mais caro do valor que é cobrado no exterior. Só em impostos são pelo menos 40%! Além do seu santo dinheiro estar em jogo (lembre-se de suas férias, passeios, descontração), a quantidade de equipamentos e sistemas hoje é mais do que suficiente para lhe absorver por completo durante anos, perdidos muitas vezes em absorver coisas novas que estarão obsoletas em pouco tempo. Menos recursos e equipamentos são garantias de mais qualidade de vida – e mais dinheiro no bolso para curtir com as boas coisas da vida :)

Diante da popularização dos computadores, da web, dos players digitais e dos celulares (em pouco menos de 10 anos), uma enxurrada de equipamentos, acessórios e softwares tem sido lançados diariamente pela indústria de alta tecnologia. Saber o que comprar de acordo com as necessidades de cada um tem se tornado um enorme desafio para as pessoas e para as empresas, que também são usuárias de uma série de tecnologias, principalmente as novas tecnologias digitais.

Reflexão para as futuras gerações

Visualizar a evolução da história da tecnologia é uma das formas de podermos estar refletindo sobre a importância do uso consciente das diversas tecnologias que nos cercam. Somado a esta proposta foi lançado em 2009 o miti | museu da informática e tecnologia da informação de São Paulo – www.miti.org.br .

Com participação de nossa equipe por meio do idealizador do Medialess (Jeferson Colombero) o miti visa criar e resgatar a história do desenvolvimento das tecnologias da informação no Brasil e na América Latina. Uma proposta inédita e estruturada, o miti visa preencher a lacuna em tratar a história do passado e presente da tecnologia, além de preparar terreno para acompanhar o futuro da Tecnologia da Informação.

Acesse o site do miti e descubra como podemos refletir em conjunto para a criação do primeiro museu brasileiro dedicado à TI e ao desenvolvimento da humanidade.

Sejam bem vindos!

miti | Habitamos o Futuro